segredado ao vento por Flor de Lótus , 19.9.09 13:35

A obra do teu sorriso faz estremecer a minha alma. E isso seria simples, como o vento e a água, não fosse o fogo que se nos alastra no peito.
O teu olhar, aquilo que mais me faz falta, era capaz de me fazer matar. O ruído dos teus passos, a tua respiração no meu pescoço, o teu gesto suave e brando, dilaceram-me a mente e prendem-me os reflexos, neste efémero momento delirante.
Podia dizer-te muita coisa, mas nada era suficiente para entenderes:
Tu és o meu adubo.E a certeza de tudo isto encontra-la escondida nos versos dos nossos poemas, intrínseca nas nossas palavras, faiscante nos nossos momentos.
Tu foste a minha manhã clara.
Podia dizer-te que me tinhas tornado tua prisioneira, mas fui eu que me acorrentei, fui eu que atei o derradeiro nó que me faria pulsar na tua presença e desejar-te quando não estás lá.
Fui eu que quis amar-te.
Hoje sei, e sinto-o, que nos tornámos muito mais que uma utopia ou alucinação. Sinto-nos firmes naquilo que nos une. Convictos nas bases que edificámos em dias frios e chuvosos. Sinto-nos preparados, assentes nos momentos em que esperámos um pelo outro, junto a um vidro frio e impotente, numa varanda longínqua. Sinto-nos juntos, mesmo quando parecemos separados.
Juntos somos uma conversa inacabada, privada e espontânea, perdida no tempo e no espaço, fugindo do derradeiro momento, do crepúsculo, do fim do mundo que é só nosso.
Nós somos o pressuposto infinito mais secreto que a condição humana é capaz de traçar.

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