Quando o sol se põe
segredado ao vento por Flor de Lótus , 9.2.09 15:09
Um palpitar de segundos, uma fracção de instantes…
o esfriar da noite escura sem estrelas.
O sangue a latejar de uma ferida ainda por sarar, o tique – taque que ecoa de uma parede vazia de um silêncio ensurdecedor.
A presença de uma ausência, dentro de uma caixa vazia.
Um vulto escuro e obtuso reflectido numa sombra inacabada.
Um baloiço vazio.
Uma brisa que arrasta um jornal numa rua sem sentido.
Uma utopia efémera de um sorriso apagado.
Uma flor desfeita de caule quebrado.
Uma lembrança embaciada de uma fotografia esmorecida.
O murmúrio longínquo das pedras da calçada, numa oração débil.
O sono desfeito da alvorada forçada, a insónia triunfante numa vida terminada.
Um piano sem cauda com uma jarra vazia,
um zumbido distante de um
amor
cansado.
Uma chama extinta…
Quando o sol se põe, é isto que resta. (tu sabes)




