Ghosts of the city

segredado ao vento por Flor de Lótus , 3.12.10 19:44

Por vezes os sonhos tornam tudo muito mais suportável. E a imaginação é usada como modo de fugir à dura realidade que se nos impõe como uma cor berrante de uma casa por onde temos de passar.

As pessoas com quem me cruzo durante o dia são muitas mais do que aquelas a que estava habituada.
O seu cheiro incomoda-me, talvez pelo facto de não conseguir descortinar nenhum cheiro conhecido em redor. E os seus rostos são meros filmes longínquos que adivinham histórias e existências. Os seus dedos empunham alianças de compromissos, algumas parecem ser demasiado pesadas para o dedo que as enverga. Algumas reflectem a ânsia de chegar a um lar onde alguém amado as espera, outras evidenciam uma tristeza que explicita a frieza de um lar desocupado.

Todas estas pessoas que se cruzam no meu caminho parecem ter sido pintadas por lápis de cera, esborratados pela chuva e levadas com a água pela sarjeta.

Gostava de voltar aos rostos sorridentes e familiares.

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