A minha alma de menina
segredado ao vento por Flor de Lótus , 20.3.10 21:03
Sei que por alguma razão o céu recombre e as estrelas escondem quando o medo toma posse do meu ser.
A minha alma, pequenina e frágil, anda de mãos dadas com o coração. Brinca com os pássaros como a criança brinca com o seu boneco. Pula pelos passeios e sorri às flores.
O meu espírito, voraz e atento, vive em alerta e ressente-se do orgulho. É o melhor, e esta é a sua obrigação. O meu espírito não se deixa vencer pois é muito mais que um simples mendigo enfraquecido.
Sei que as pedras da calçada contam histórias. E que quando o silêncio ecoa só os passos do vazio se ouvem. As paredes, essas foram pintadas com lápis de cera, em tons de pastel. A chuva borrou todos os tons e transformou-os numa palete confusa e indestinguível do sujo que tinge os campos de sangue.
O medo paralisa e faz ressaltar o espírito em alerta. Vestido de negro, austero e feroz, senhor de dignidade, força e respeito, o espírito segue a alma pequenina e frágil e tapa-lhe a boca. Os seus pezinhos elevam-se no solo. "Chh, não te vou fazer mal, mas agora ninguém pode saber que existes".
E foi assim que a minha alma, frágil e indefesa na sua saia rodada, aprisionada foi numa caixa de vidro qual bailarina enclausurada, destinada ao esílio. Alma de menina, tenro olhar, vive entre gritos de indiferença. Só lhe resta uma minúscula flor pendente ao pulso.
O medo venceu-me. Apoderou-se de mim. O espírito defende-se e não deixa a alma sair: neste momento a força tem de superar a emoção. Não há espaço ao sentimento, muito menos à improvisação.
Medo da perda, medo da vergonha, medo da despedida.
A minha alma olhou pelo vidro frio e austero que a separava do mundo que ela tanto gostava. "A minha flor vai morrer"-pensou ela com uma lágrima no canto do olho.